Embrapa e Unicamp desenvolvem pesquisa para capacitação via dispositivos móveis

mobile-agroO uso de dispositivos móveis, como celulares e tablets, é cada vez mais frequente. O Brasil já conta com mais de 283 milhões de linhas de telefonia móvel, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No campo, isso não é diferente. Os celulares estão em 60% dos lares rurais, sendo que mais de 30% deles têm acesso à internet, conforme Pesquisa TIC Domicílios de 2013, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

De olho nesse cenário, a Embrapa e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) uniram esforços para desenvolver um programa de formação continuada que vai oferecer futuramente, por meio de dispositivos móveis, conteúdos e microtreinamentos sobre temas de interesse dos produtores rurais. O objetivo é contribuir com a disseminação e a transferência de tecnologia para agricultores e profissionais de assistência técnica e extensão rural.

As ações de capacitação são uma das formas previstas pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) para reestruturar o processo de extensão rural no País. O presidente da entidade, Paulo Guilherme Francisco Cabral, disse que o papel da nova Agência será o de integrar as várias iniciativas desenvolvidas em âmbito regional, para facilitar o trabalho do extensionista e prestar uma melhor assistência técnica, baseada na necessidade real dos agricultores.

Cabral participou do seminário “Inovação na educação a distância: capacitação de multiplicadores via dispositivos móveis”, realizado na última quinta-feira (6) na Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP). O evento teve como intuito discutir as necessidades de formação, capacitação e atualização de multiplicadores para extensão rural e assistência técnica, visando apoiar a implantação de ações educativas usando as novas tecnologias de informação e comunicação.

De acordo com o professor da Unicamp Sérgio Ferreira do Amaral, o diferencial é a parceria para promover a integração no desenvolvimento tecnológico e a inovação necessária no campo. Para isso, o programa ampara-se em conceitos educacionais relacionados à aprendizagem organizacional, respeitando os princípios norteadores da educação de adultos, como autodiretividade, experiência, prontidão para aprendizagem e aplicabilidade. “Nosso objetivo é promover uma educação inovadora, baseada em transferência de tecnologia, e que dê subsídios para a formulação de políticas de formação continuada visando atender a esse mercado”, ressalta.

O Departamento de Transferência de Tecnologia (DTT) da Embrapa coordena um conjunto de estratégias que buscam facilitar a interação com a Anater e a melhoraria no aperfeiçoamento profissional dos extensionistas. “Precisamos de um olhar para nosso principal público, o produtor rural. Para isso, o extensionista deve nos ajudar a perceber os gargalos que precisam ser superados. O produtor necessita desse olhar, dessa intervenção da Embrapa, em parceria com a extensão”, afirma Michell Costa, supervisor do DTT.

Os aplicativos móveis têm grande potencial para atender às necessidades dos extensionistas, de forma massiva e inovadora. “O desenvolvimento desses aplicativos deve permitir não somente levar informação, mas captar demandas e oportunidades para fortalecer a interação entre Embrapa e Anater”, afirma Costa. “Temos uma tecnologia bastante sofisticada e de baixo custo que é o nosso aparelho de celular, nosso smartphone. Transferir esse conhecimento por meio de uma plataforma móvel popular e de alta tecnologia é garantir o elemento-chave do sucesso desse projeto”, complementa Amaral.

O seminário teve a participação de 50 pessoas, entre eles representantes da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), profissionais da área de TT de Unidades da Embrapa, além de bolsistas de pós-graduação da Unicamp. Esse evento integra o projeto de pesquisa “Educação não formal para transferência de tecnologia na Embrapa: microaprendizagem, microtreinamento e microconteúdo via dispositivos móveis”, coordenado por Amaral em parceria com o pesquisador José Ruy Porto de Carvalho, da Embrapa Informática Agropecuária.

A pesquisa vai aplicar uma metodologia de produção e organização de microconteúdo educacional e construir um ambiente computacional na internet baseado nos conceitos de desenvolvimento de aplicações móveis, visualização e computação ubíqua. “Com o trabalho de pesquisa, vamos gerar uma metodologia para formular conteúdos adequados e executar microtreinamentos que sirvam para qualificação dos profissionais de assistência técnica, extensionistas e agentes de TT”, explica a analista da Embrapa Marcia Izabel Fugisawa Souza.

As ações têm como foco a formação continuada de caráter coletivo, apoiadas na realidade do público-alvo e baseadas em uma proposta interativa, comunicacional e construtivista que envolve o tratamento dos conteúdos de forma interdisciplinar e complementar. O projeto é financiado com recursos do Programa de Bolsas de Estudo destinado a apoiar a formação de recursos humanos em áreas e temas estratégicos de pesquisa em agropecuária, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

visto em http://www.paginarural.com.br/noticia/218941/embrapa-e-unice-desenvolvem-pesquisa-para-capacitacao-via-dispositivos-moveis

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